CONSTRUIR-SE PSICÓLOGO A PARTIR DO ESTUDO DA PSICOLOGIA SOCIAL CRÍTICA

DIMENSÕES DE UM FAZER ÉTICO E POLÍTICO

  • Carlos Alexandre da Silva Rodrigues Faculdade CESUSC
  • Marília dos Santos Amaral Faculdade CESUSC

Resumo

A psicologia social crítica, no decorrer do construir-se psicólogo, torna-se um predicado importante de formação ética e política. Investir nas compreensões epistemológicas e metodológicas desta perspectiva é considerar o refinamento de uma área preocupada com o movimento da realidade e, sobretudo, com seus motes estudados Faz-se necessário uma análise da perspectiva ontológica, ou seja, na preocupação com a subjetividade e na produção dos sujeitos em relação, diante dos variados fenômenos psicológicos imersos à cultura, espaço e coletividade. O patamar ético, como instância norteadora de práticas, decorre da relação com o mundo social do outro, utilizando-se do crítico-dialético como metodologia, podendo servir ora como uma denúncia social em defesa da dignidade humana, ora como uma ratificação de posicionamentos que se tem frente às temáticas sociais. O fazer político pauta-se na condução transformadora de sentidos que propõe, a partir de uma análise do que é dado, novas afetações dos sujeitos, tornando possível agenciamentos para novos pensamentos, condutas e amparos sociais. A responsabilidade social nas interfaces da ciência e profissão tencionam os rompimentos e diligências para mudanças dos mecanismos que operam os discursos e ações de ajustamentos e assujeitamento dos sujeitos. Propõe-se uma atuação razoável às transformações sociais, gerando condições para novas possibilidades que se tangenciam pela esfera da inclusão, equidade, diversidade, além da (re)inserção dos sujeitos diante de uma sociedade inclinada para “verdades”, preconceitos e realidades fabricadas por valores, normas e privilégios. Os esforços no construir-se psicólogo nesta sintonia, independentemente da perspectiva teórica, vem de encontro às concepções de categorização construídas por a prioris, entre os quais estão os discursos que produzem existências naturalizadas, normais, do mesmo modo que a ideia de essência engendrados por circunstâncias padronizadas, inteligíveis e moralizantes, ou seja, de um suposto saber que marca os seres e do qual podem desencadear sofrimento psíquico. Esta construção de si como psicólogo diante das relações humanas, atua como um fio condutor de práticas pautadas em um fazer ético e político, diante de sujeitos involucrados nos modos de vida alienadores que ao se reconhecerem empoderados pela produção potente das diferenças, podem se sentir pertencentes à sociedade, construindo uma nova realidade social.
Publicado
2018-10-07